ACONSELHAMENTO FAMILIAR

 

 

 

 

 

 

 

 

“Somos formados para tudo nesta vida, menos para ser pais, maridos, educadores”

 

ZENIT entrevista Edely Tapia, conselheiro familiar de grande sucesso dentro e fora da Igreja Católica no Brasil. Casado, pai de dois filhos, comunicador há 28 anos, com atuação no rádio e TV, jornalista, empresário

Edely_T_pia_foto-740x493

 

“Não me arriscaria um dia sequer a tentar ser pai de família sem Deus”, pois “Somos formados para tudo nesta vida, menos para ser pais, maridos, educadores”, afirmou o nosso entrevistado de hoje, Edely Tapia. E quem é ele?

Bem, há 18 anos trabalha dentro da Igreja Católica atendendo várias frentes de ações de atendimento a famílias: RCC, Pastoral Familiar, ECC, Cursilho, Lareira, Toca de Assis, Convívio, Pastoral da Sobriedade, etc. Nos últimos sete anos coordena, junto com sua esposa, o setor Casos Especiais no Regional Sul II da CNBB e há um ano e meio este trabalho ultrapassou os muros da Igreja e ganhou o chão das fábricas, a construção civil, as cooperativas, prefeituras, enfim do mundo corporativo.

Casado, pai de dois filhos, comunicador há 28 anos, com atuação no rádio e TV, jornalista, empresário. 

“O que faço, com meu trabalho é motivar os integrantes das unidades familiares que encontro a procurarem dentro de seus próprios núcleos as ferramentas necessárias para que ocorram “auto ajustes”, destacou Edely nesta conversa.

Além de jornalismo estudou Marketing e Publicidade, conhecimentos teóricos que são mesclados com suas muitas experiências no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade e conflito. Edely Tápia é credenciado SESI e SESCOOP/PR. 

 

 

ZENIT: Quais desafios que a estrutura do nosso país impõe às famílias dentro da atual conjuntura política, econômica, social, moral e ética?

 

Edely Tapia: A pergunta é interessante porque abre a oportunidade de se olhar esta questão sob um ângulo que considero fundamental para que a família receba a atenção merecida de todas as demais peças desta nossa engrenagem social. Infelizmente muitos não se dão conta de que é a estrutura do nosso país que esta fixada em uma  base chamada família e não o contrário. 

Se olho a problemática por este prisma me obrigo a  inverter a lógica deste questionamento. Ou seja, preciso analisar os frutos que a instituição família tem oferecido ao Brasil. Apesar de óbvio é preciso sempre lembrar que tudo passa pela família e sendo assim a pergunta é : Que tipo de político tem saído dela? Qual é o impacto causado pela atual estrutura familiar sobre a vida econômica do país? Hoje ela é uma ajuda para  a nação ou um peso? No aspecto social que tipo de cidadão estamos colocando nas ruas? Que profissionais têm saído de nossas casas? Que pais e mães estamos formando? Trânsito, educação, segurança pública, saúde, mercado de trabalho, etc, tudo pode ser melhor ou pior dependendo da qualidade da socialização primária dada às nossas crianças dentro de um lar. 

Não é necessário uma equipe com grandes aptidões técnicas pra saber que o bom e o mal que temos na sociedade foi formado dentro de um lar, no entanto, nossos  governantes não tem se atentado para esta realidade e a cada eleição apresentam novamente aqueles planos de governo recheados de medidas paliativas. Da base pouco falam. O problema é que um projeto como esse não da pra inaugurar pra tirar foto pro jornal; por não dar resultado em um prazo de quatro anos, não rende votos e por isso fica relegado a um segundo plano. Casa é um canteiro e não dá pra esperar que nasça tomate onde foi plantado jiló. É regra da engenharia: construir sobre a rocha. Se não houver preocupação com a base a estrutura sobre ela se encontrará em constante risco.   

 

ZENIT: A família está preparada para enfrentar estes desafios? O que fazer para ofertar às famílias o alicerce para suportar estas intempéries?

 

Edely Tapia: Pregam por aí que a família é uma instituição frágil, indefesa. É preciso desmistificar isso. Esta organização, como tudo o que é natural, tem uma força descomunal e sendo assim, pode superar qualquer desafio. Precisamos apenas que toda esta potencia seja devidamente direcionada. Qualquer atacante de futebol sabe que não adianta força se não houver direção. Bento XVI em discurso à Conferência Episcopal francesa, já alertava em 2008: “o casal e a família passam por uma tempestade” e é verdade, mas, é verdade também que esta embarcação tem provado no decorrer da história que é resistente e suporta qualquer turbulência. A família não necessita de reboques, precisa apenas de um bom farol a orientá-la para que navegue em segurança, mesmo com o mar revolto. 

O que faço, com meu trabalho é motivar os integrantes das unidades familiares que encontro a procurarem dentro de seus próprios núcleos as ferramentas necessárias para que ocorram “auto ajustes”. Estas ferramentas estão lá, basta que cada um se empenhe em sua busca e depois, claro, as use.

Os que dizem que a família é frágil, na verdade estão buscando justificativas para tutelá-la. São integrantes de grupos que não tem preocupação real com a família e sim estão em busca de poder. O que se quer é dominar, se isto é possível, uma das últimas fronteiras da natureza. Recentemente vimos isto com o Estado querendo definir como pais devem educar os filhos. Até aprovaram a tal “lei da palmada”. É um equívoco. 

Muito obrigado. Dispensamos este tipo de auxílio. O direito natural dos pais educarem seus filhos deve ser respeitado. É certo que os menores devem ser protegidos, pois estão em fase de formação, mas aqui no Brasil, o próprio Estado que tenta criar leis para protegê-los, também mostra-se muitas vezes como agressor com politicas educacionais permissivas contrárias a muitos valores familiares. Para constatarmos isto basta folhearmos os jornais, revistas, sites e até a jurisprudência dos tribunais pátrios para verificarmos o sem fim de polêmicas geradas em torno do desrespeito do direito dos pais educarem seus filhos, diante de questões relacionadas a educação sexual, gênero e ensino religioso, por exemplo. 

A família tem sido atacada por quem teria o dever de protegê-la. O que se pretende com isso por certo é sua desestruturação, e isso é feito muitas vezes com nomes nobres que enganam até aos mais atentos. Família não precisa de tutela, aliás, se o Estado não atrapalhar já estará de bom tamanho. Famílias precisam é de motivação para que despertem e usem todo o seu potencial na construção de um mundo melhor.

 

ZENIT: Como conjugar de forma saudável, construtiva e harmoniosa os aspectos Trabalho x Família dentro da atual crise que vivemos?

 

Edely Tapia: Esta é a pergunta que vale um milhão de dólares. Esta conjugação, apesar de ser trabalhosa, é possível, e posso dizer que não se trata de uma opção, mas a única saída para quem quer empreender a longo prazo. Quer um exemplo? 

Desde 2008, a Fundação Fiat implementa um modelo de Gestão de Pessoas que além de lhe render muitos prêmios a colocou na liderança do mercado brasileiro de venda de veículos e em mercados estratégicos do mundo. O RH da fundação dá a receita do bolo: As ações da entidade estão focadas em promover um ambiente que proporcione o desenvolvimento das pessoas e fortaleça a cultura de excelência no relacionamento humano. Atualmente, a Fundação Fiat é responsável pelo atendimento a um público especial: cerca de 70 mil funcionários e seus familiares.

Mesmo que não haja a intenção, este tipo de investimento traz um imenso retorno as instituições. Atendo regularmente o mercado da construção civil com palestras. Organizar as famílias de quem esta sobre andaimes, grande  parte do dia, ajuda e muito a evitar acidentes. Como pensará em normas de segurança, quem esta com sono, ressaca ou abalado por conta das brigas da noite anterior em casa?

O proprietário da Construtora Saraiva de Rezende de Cascavel no Paraná, me pediu que antecipasse a data de uma palestra com esta justificativa: – “Hoje a noite uma mulher vai apanhar do marido e a culpa pode ser minha por não ter oferecido a ele um momento para refletir sobre o que é ser pai de família”.

O que a Fiat e a Saraiva tem em comum?  Seus gestores tem as estantes repletas de prêmios do tipo “Melhor lugar para se trabalhar”. Gestor eficiente sabe que um colaborador não aparece “do lugar nenhum” na empresa pela manhã e por isso investe para que ele tenha um mínimo de organização em sua vida pessoal. Menos brigas em casa durante a noite, menos acidentes de trabalho na empresa; Mais controle financeiro doméstico, menos insatisfação com o salário na empresa; Menos problemas com os filhos, menos faltas; Menos separações, menos abandono de emprego. O contrário também pode ser comprovado: Família feliz, colaborador satisfeito, motivado, produtivo, engajado e principalmente ciente de que  o trabalho é importante para manter sua casa.        

 

ZENIT: “Sem família não existe sociedade!” Como a família deve se posicionar diante dos ataques promovidos pelas ideologias, lobbys e políticas públicas (gênero, gayzismo, incesto, pedofilia) que a ameaçam! Como continuar a ser promotora da vida na sociedade diante deste cenário?

 

Edely Tapia: Tenho conversado com muita gente boa a este respeito, os amigos procuradores Guilherme Schelb e Miguel Nagib, os professores Felipe Nery, Pe. Paulo Ricardo, Pe. José Eduardo, Damares Alves, esta última uma batalhadora pelas causas da família, e tantos outros que estão na luta para evitar que pseudos defensores das minorias enfiem por nossas gargantas suas leis que só defendem seus interesses obscuros. Acompanhei bem de perto a guerra pela higienização dos planos de educação e vi que a resistência deu resultados. Estas frentes de ação precisam ser incentivadas. Estes guardiões de nossas casas precisam de nossas orações, motivação e principalmente financiamento para continuar em alerta, pois lutam contra forças poderosas e estruturadas. Enquanto isso, nós pais, devemos nos aproximar da comunidade escolar de nossos filhos, revisar com eles o material didático, formar grupos de pais, participar de associações de famílias. Só é preciso ter cuidado para não confundir grupos que atuam contra a família com aqueles que são usados como verdadeiras armas e escudos humanos. A família deve participar desta luta apenas sendo o que nasceu pra ser: Transmissora de valores, base e berço da sociedade. Temos que respeitar sim os direitos humanos, mas aqui também cabe respeitar a família.

 

ZENIT: Seu trabalho é pautado, através de palestras, em promover a integração entre as necessidades e anseios do mundo corporativo e a vida pessoal e familiar. Como tem sido a procura, adesão e resultados deste trabalho? (Fale-nos um pouco de você e do seu trabalho).

 

Edely Tapia: Há 18 anos trabalho dentro da Igreja Católica atendendo suas várias frentes de ações de atendimento a famílias. RCC, Pastoral Familiar, ECC, Cursilho, Lareira, Toca de Assis, Convívio, Pastoral da Sobriedade, etc. Passei e passo por muitos deste grupos ajudando com palestras e cursos para as famílias e principalmente formando agentes que trabalharão com elas.

Há 08 anos ganhei uma parceira nesta missão: Maristela, minha esposa é professora universitária, mestre em Direito Canônico, e além de atuar no Tribunal Interdiocesano e de Apelação de Belo Horizonte-MG, viaja comigo para a realização de parte deste trabalho. Nos acompanham ainda nossos filhos Francisco, 07 anos e Maria Clara de 2.

Nos últimos sete anos coordenamos o setor Casos Especiais no Regional Sul II da CNBB. Mas, há um ano e meio este trabalho ultrapassou os muros da Igreja e ganhou o chão das fábricas, a construção civil, as cooperativas, prefeituras, enfim do mundo corporativo. Aliei minha formação em jornalismo e marketing a toda experiência no trabalho com famílias e passei a atuar diretamente dentro do mundo dos negócios.

Os problemas que atingem a família atingem tudo que cerca essa família, inclusive e principalmente o trabalho. No início, confesso, estava incrédulo de que seria chamado para falar e mais do que isso, de que seria ouvido neste meio, mas fui surpreendido pela sede do setor produtivo em obter respostas para esta complexa relação entre trabalho e família. Tem sido maravilhoso. Independente da posição dentro da empresa, todos têm família e discutindo o tema descobrimos que temos desafios semelhantes. Muitas vezes as empresas chamam as famílias dos funcionários para acompanhar as palestras e então trocamos experiências, identificamos os pontos fortes e fracos e traçamos metas.

A pedido de Secretarias de Educação tenho falado para pais de alunos com a missão não apenas de fazê-los se aproximar, mas de se apaixonar pela escola dos filhos e quando isso ocorre é emocionante ver a satisfação de professores e alunos.  O resultado maior se dá em minha vida. Vendo tanta gente na luta renovo as forças para cumprir à risca a meta lá de casa: Fazer gente melhor que a gente. Já imaginou se conseguirmos? Já imaginou se mais gente pensar assim? Em algumas gerações damos um jeito neste mundo.

 

ZENIT: São João Paulo II nos apresentou a família como o santuário da vida. A espiritualidade é um fator essencial para o sustento e conservação da família?

 

Edely Tapia: Somos formados para tudo nesta vida, menos para ser pais, maridos, educadores. Qualquer profissão exige no mínimo quatro anos de formação teórica, mas algum tempo de prática e finalmente uma autorização para a atividade. Já para exercermos a maior de todas as tarefas, ou seja, entregar à sociedade homens e mulheres de bem, no máximo temos um cursinho de noivos, (e o meu foi horrível).

Em 8 anos casado, sei bem o que é ter espiritualidade. A maior parte do tempo não temos respostas, não sabemos para onde ir, nem o que fazer. É nestas horas que sinto a presença de uma mão poderosa me amparando, confortando e orientando. O modelo é São José, que tem como bússola não sua intuição ou experiência de vida, mas sim uma voz do céu que lhe diz sempre pra onde e quando seguir. Me perdoem os ateus, mas não me arriscaria um dia sequer a tentar ser pai de família sem Deus.  É uma missão muito além de nossas capacidades.   

 

ZENIT: Uma mensagem para as famílias do Brasil.

 

Edely Tapia: Exercitemos o amor. O mundo precisa do amor que geramos dentro de nossos lares mais do que qualquer outro tipo de energia. Amem-se, ensinem os mais novos a amar. É verdade que o mundo anda confuso, barulhento e cinza, mas basta que continuemos a amar e os que estão com os corações endurecidos por terem perdido o sentido da vida dirão: Olha como eles se amam! E se juntarão a nós (At 2,47). Disse São João Paulo II às famílias: A sua primeira tarefa é a de viver fielmente a realidade da comunhão num constante empenho por fazer crescer uma autêntica comunidade de pessoas. (…) Sem o amor, a família não é uma comunidade de pessoas, assim, sem o amor, a família não pode viver, crescer e aperfeiçoar-se como uma comunidade de pessoas.

Por favor insira seu nome
Por favor insira a mensagem

DETALHES

(45) 9 9990-6784

contato@edelytapia.com.br

Rua Riachuelo 2420
Cascavel, Parana, Brazil