“o melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai”.

Logo após a morte do jornalista Joelmir Betting na madrugada de 29 de novembro de 2012, o filho dele, Mauro Betting, também jornalista e radialista que estava trabalhando, usou os microfones da rádio Bandeirantes para uma homenagem que se foi ouvida por Joelmir em algum lugar, com certeza o encheu de orgulho. Com a voz embargada, mas prometendo não chorar o filho de Joelmir parecia uma criança falando do pai. A descrição que Mauro fez de Joelmir, em cerca de cinco minutos de homenagem, é daquelas que só podem ser feitas por quem consegue, sem encolher, sem se diminuir, reconhecer a grandeza de quem esta ao seu lado. Os filhos enquanto ainda estão olhando de baixo pra cima fazem isso com frequência, depois muitos perdem esse encanto no decorrer da vida. Naquela madrugada a voz trêmula de um filho anunciava ao Brasil a partida do pai com a frase: “O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.

É de deixar de consciência pesada aqueles que nunca declararam amor aos pais, mas muito mais aqueles que nunca conseguiram amaram os pais, já que o próprio Joelmir Betting ensinava que: “Nem todas as palavras precisam ser ditas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.”

Na homenagem derradeira, Mauro falou do Palmeiras, time do coração do pai e do filho. É assim, quando pequenos eles querem se parecer ao máximo com os seus ídolos e se por algum desvio de percurso o filho torce para um time diferente daquele do pai, a verdade é que dificilmente consegue torcer contra o time do coração do velho.

Tudo o que foi dito por Mauro Betting na homenagem a Joelmir é interessante, mas foram as entrelinhas da homenagem que me chamaram a atenção. Nós conhecíamos apenas o humor inteligente e irônico de Joelmir, mas naquela triste madrugada tivemos a oportunidade de ouvir alguém da sua intimidade apresentando o homem justo, o bom marido, o avô carinhoso e o pai presente, até mesmo quando não estava.

Bacana ouvir isso na reta final não?

Não dá vontade de também ser admirado assim por um filho?

A receita para ter a essa admiração é dada sem querer por Mauro Betting quando no final da homenagem ele faz um agradecimento: “Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno. Os filhos desse amor jamais serão órfãos.”

Diante de um agradecimento deste só há de se concluir que assim como na vida profissional, em casa Joelmir também tem a garantia de missão cumprida. Que ele esteja em paz enquanto nós continuamos por aqui aprendendo a cuidar da família esse bem tão precioso.

Trecho do livro : ” Fonte da motivação para a motivação” de Edely Tápia